terça-feira, 30 de novembro de 2010

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

sexta-feira, 23 de julho de 2010

ANGRA: confira primeiras imagens do novo álbum “Aqua”





A gravadora japonesa da banda ANGRA, a JVC/Victor, revelou as primeiras imagens oficiais da versão física do álbum “Aqua”, bem como o cartaz de divulgação do material.

Aqua Track List:

01. Viderunt Te Aquæ
02. Arising Thunder
03. Awake From Darkness
04. Lease Of Life
05. The Rage Of The Waters
06. Spirit Of The Air
07. Hollow
08. A Monster In Her Eyes
09. Weakness Of A Man
10. Ashes

Em paralelo, a banda ANGRA continua agendando sua nova turnê mundial em suporte ao seu sétimo álbum de estúdio, “Aqua”, a ser lançado no Japão no próximo dia 11 de agosto e posteriormente no mercado brasileiro dia 17 do mesmo mês.

A data de lançamento do álbum “Aqua” no mercado europeu ainda está indefinida e em breve será notificada à mídia especializada.

Para maiores informações de como ter um show do grupo em sua cidade, basta contactar a agência Base2 no telefone +55 11 3673-2758 ou no email shows@base2producoes.com.br.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A volta do Vinil ao Brasil


O disco de vinil vai bombar no Brasil. A previsão é de João Augusto, novo dono da Polysom, única fábrica de LPs da América Latina. Localizada em Belford Roxo, no Rio de Janeiro, ela ficou desativada até ser comprada pelo presidente da Deckdisc, no início deste ano. Prestes a voltar a funcionar, a empresa não tem vínculos com a gravadora e deve produzir 40 mil peças por mês, segundo ele contou ao G1.

“A Polysom é uma companhia inteiramente independente que vai atender a todas as gravadoras. A Deckdisc vai ser tão cliente dela quanto as outras gravadoras e os artistas independentes. Há uma gama muito grande de independentes que tem essa demanda por vinil”, diz João Augusto.

Na era do MP3, disco de vinil recupera espaço entre os fãs de música

A data da conclusão da reforma, que começou em maio, depende de diversos fatores, mas a Polysom deve reabrir suas portas “ainda este ano, com certeza”. De acordo com o proprietário, a capacidade de produção será de 40 mil discos por mês. “Isso só no começo, depois pode aumentar. Acredito numa demanda alta porque já tem muitos interessados.”

Como não se fabrica mais maquinário para prensar discos de vinil, todo o equipamento da Polysom é reaproveitado. “Tudo está sendo recuperado, desde a mesa de corte até as prensas. A gente desmonta e troca várias peças, mas a carcaça é a mesma de décadas atrás.”

A Polysom vai vender o produto semi-acabado. Caberá às gravadoras colocar a capa, embalar e vender. O preço final também vai depender delas. “No que diz respeito ao custo de fabricação do vinil aqui, estou tentando fazer com que o preço seja duas vezes e meia menor do que lá fora”, diz João Augusto. “Vou conseguir fazer aqui um produto muito mais barato do que o que vem de fora. O problema do Brasil é que as taxas são muito altas.”

Nos Estados Unidos, as vendas de discos de vinil aumentaram 50% em relação ao ano passado, de acordo com dados divulgados pela Soundscan. Segundo a empresa, a estimativa é que sejam vendidos 2,8 milhões de LPs no país até o final do ano – esta é a marca mais alta desde que a Soundscan passou a acompanhar o setor, em 1991.

‘Da lama ao caos’ completa 15 anos e ganha reedição em vinil

A gravadora Sony acaba de lançar a série “Meu Primeiro Disco”, que traz de volta ao mercado álbuns históricos num formato de luxo em edição limitada. Cada exemplar contém o LP original com áudio remasterizado fabricado nos EUA e um CD.

A primeira edição do projeto reúne os trabalhos de estreia de Chico Science & Nação Zumbi, Vinícius Cantuária, Engenheiros do Hawaii, Inimigos do Rei e João Bosco. Serão 30 títulos ao todo, incluindo álbuns do Skank, Zé Ramalho, Sérgio Dias e Maria Bethânia. Cada disco custa em torno de R$ 150.

“‘Da lama ao caos’ é o primeiro e mais importante disco de nossa carreira”, diz Lúcio Maia, guitarrista da Nação Zumbi. “Ali estão as ideias de anos de expectativa por uma consolidação profissional. Tudo aconteceu da melhor maneira possível. Não imaginávamos que um dia o álbum seria tão importante para a música brasileira. Mudamos o conceito de ‘MPB é uma m…, o negócio é imitar gringo’”, reflete o músico, que só compra vinil.

“Não sei quantos LPs eu tenho, mas minha coleção tem de tudo. A maior parte de música brasileira, depois jazz, depois Jamaica, alguns de funk, outros de rock, vários do Fela Kuti, Hendrix, trilhas sonoras…”

Lígia Nogueira Do G1, em São Paulo.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O ocaso da indústria fonográfica


O século XX desenvolveu um modelo de negócios bem delineado em torno da música. A criação do LP, a partir dos anos 30, produziu um casamento sem igual com o rádio, que já exercia um poder de concentração social desde o finzinho da década de 1910 nos países mais avançados.

Foi a partir dos anos 40 e 50 que o modelo da indústria fonográfica anglo-saxã se tornou hegemônico. Era preciso vender discos. Para isso, as gravadoras desenvolviam verdadeiros aparatos técnico-industriais-financeiros para alcançar o objetivo. Tinham grandes estúdios, técnicos e produtores, além de departamentos comerciais competentíssimos e relações envolventes com as rádios. Como se verificou, para vender discos era preciso tocar nas rádios.

Foi criado o single, que, aqui no Brasil, ficou conhecido como "música de trabalho". O single era aquela música mais comercial que se destacava do conjunto de temas apresentados nos LPs -- o termo abrasileirado "música de trabalho" já exemplifica a ideia chave de que a música tocada em rádio podia gerar dinheiro justamente por ser comercialmente apelativa. Em diferentes momentos, surgiam as modas. Assim, pipocaram, ao longo do século passado, os "artistas de uma música só", alçados à fama pela indústria fonográfica para aproveitar uma moda passageira.

As gravadoras eram verdadeiras chancelas do que era "bom" e do que era "ruim". Para ter um bom estúdio, um single tocando nas rádios, um disco sendo vendido em todos os lugares e um video-clipe na MTV, era preciso ter uma gravadora por trás. Para isso, era preciso se aliar à proposta da moda do momento ou instituir o novo, criando uma nova moda.

Exemplos não faltam. Os Estados Unidos, coqueluche do modelo tradicional da indústria fonográfica, viram, nos dez anos entre 1981 e 1991, ao menos três grandes vertentes de moda surgirem, monopolizarem as rádios e tevês e decaírem, substituídos por uma nova moda. A passagem pode ser exemplificada pela explosão do hard-glam (entre 81 e 86), do thrash (entre 84 e 88) e finalmente do grunge (entre 89 e 92).

Claro, essa regra de modas e costumes não é estático. E, muito menos, algo que deve ser entendido como necessariamente ruim. Não foi e não é. Amante de música que sou, já gastei posts e mais posts aqui no Blog tratando de artistas, brasileiros e internacionais, que só foram o que foram graças ao sistema da indústria fonográfica. Era impossível fugir do esquema para quem viveu a segunda metade do século XX. Podia ser rebelde até certo ponto, mas, regra infalível, invariavelmente voltava ao mainstream das gravadoras.

Faz parte.

Este modelo de monopólio das grandes gravadoras começou a entrar em decadência tão logo os anos 90 acabaram. O século XXI começou e, logo de início, já trazia consigo a disseminação da internet. As experiências dos anos 90, com o Napster, foram desenvolvidas anos-luz à frente em pouco tempo. Se em 1997, o Napster causava burburinho, isso não era problema, uma vez que os artistas ainda vendiam milhões de CDs, tinham singles e clipes em toda parte e as gravadoras deitavam e rolavam. A partir dos anos 2000, no entanto, passamos a conviver com blogs e sites de altíssimo nível que traziam álbuns inteiros de gente nova e, principalmente, daquelas joias esquecidas pela indústria, que, de moda em moda, vai enterrando gênios do passado.

Aí foi que a coisa virou. Não são apenas um ou outro site causando burburinho com o compartilhamento de músicas. Mas blogs, sites e sistemas de difusão musical, feitos anonimamente ou não, em diferentes países. A democratização da internet -- por meio dos ganhos de escala dos computadores (olha aí outra indústria...) -- permitiu que um número cada vez maior de pessoas passasse a trocar ideias, e porque não músicas?, entre si, formando cadeias de fãs interligados. O mais curioso, conforme a coisa foi ganhando musculatura, é ver blogs feitos em nomes de artistas e bandas dos anos 30 e 40, que mal gravaram sequer LPs, gerando debates entre milhares de pessoas que descobriram o material quase centenário por meio de um ou outro geek que disponibilizou na internet.

As gravadoras não cederam facilmente, é claro. Sacaram que era preciso reduzir o preço do CD, vender música pela internet e mesmo relançar grandes discos do passado em edições de luxo. Este blogueiro, aliás, aproveitou e muito os relançamentos (estou, aliás, apaixonado por uma coleção de relíquias da Dolores Duran, lançado no ano passado).

A verdade é que, ano a ano, a indústria fonográfica foi perdendo o monopólio. Este 2010 parece ser o momento em que a luta parece ter sido decidida à favor de um modelo mais aberto. Estamos todos, independentemente de onde vivemos, tateando este novo modelo, difuso e sem o "fator hierarquia", exercido pelas diferentes indústrias do século XX: cultural, fonográfica, midiática etc.

Este, aliás, é o grande ponto desta quebra de paradigmas porque passamos nesta década que termina e que continuaremos a ver, de maneira ainda mais louca, na década de 10. Pouco se pensa sobre isso, mas, ainda que os efeitos negativos do monopólio e do poder de chancela (de decidir o que ganha espaço e o que é excluído do sistema) sejam em muito superiores aos positivos, a indústria (seja ela do disco, da mídia ou qualquer outra) serve para hierarquizar e organizar informações e conteúdos. O que os americanos passam desde 2003-04 -- e que nós começamos a ver nos últimos anos, a partir de 2008 mais especificamente -- é uma espécie de anarquismo informacional, que dá espaço à todos e à tudo. Isso é ótimo e deve ser aprofundado. Mas, como qualquer fenômeno novo, coloca um elefante na sala do tradicionalismo acostumado a alguém dizendo o que é bonito e o que é feio. O definhamento da indústria leva esse modelo século XX embora.

É um quadro interessante.

***

Na semana passada, matéria de Marcus Preto, na Folha, contava os planos das cinco gravadoras majors no mercado brasileiro. As cinco gravadoras que detém acervo em LPs clássicos da música brasileira não tem qualquer interesse em relançar material em CD em 2010. Das cinco -- Universal, EMI, Sony, Warner e Som Livre -- apenas a Sony e a EMI vão reeditar discos. A Sony pretende lançar álbuns da Amelinha, Elba Ramalho, Dominguinhos, Sandra de Sá e Elza Soares.

Luiz Garcia, gerente de marketing estratégico da EMI -- que possui o catálogo da Odeon --, diz que a empresa deve lançar, em 2010, apenas uma caixa com teipes garimpados em acervo analógico. Trata-se da obra completa da cantora e compositora Dolores Duran. O material, no entanto, já está pronto desde o ano passado.

"Se fôssemos começar neste ano, talvez nem esse aí saísse", diz. "O negócio é difícil. Fabricamos os mil CDs, mandamos 100 à imprensa, vendemos 200 ou 300. O resto fica parado no meu estoque. E, se não sai em dois anos, tenho que mandar quebrar. Não posso ficar pagando para guardar aquilo."

Responsável por séries memoráveis de reedições nos últimos três anos, a Som Livre -- dona também do acervo da RGE -- é ainda mais radical. "Ainda não temos nenhum lançamento de catálogo planejado", diz Leonardo Ganem, presidente da empresa. "É melhor concentrarmos nossos esforços em artistas novos".

***

Na edição de novembro da Fórum, o editor Renato Rovai entrevistou Fernando Anitelli, um dos caras mais criativos da música brasileira contemporânea, coração do Teatro Mágico, grupo que serve de símbolo desse novo modelo de relação entre artista e público, tendo a internet como atravessadora.

Destaco duas respostas Anitelli, que considero emblemáticas:

Fórum – A estratégia utilizada pelo grupo foi bem sucedida, indo contra a corrente do mercado musical e cultural. Isso no início era mais para quebrar as correntes e mostrar o trabalho ou também era uma concepção política?

Anitelli
– Era um pouco dos dois. Precisávamos quebrar as amarras para entrar no mercado, porque senão não tínhamos nem como existir. Não é à toa que os programas dominicais enchem o povo brasileiro de lixo. Você sabe, por exemplo, que por trás do É o Tchan foi investido 1 milhão de reais para que eles acontecessem? Acho que tem que ter todo tipo de música, todo timbre, inclusive o do É o Tchan, mas não pode ter só aquilo. Quebrando essa amarra, percebemos que aquilo era a nossa única alternativa, nossa bandeira. Fortalecemos essa ideia, amadurecemos, espalhamos e instalamos esse movimento.

Fórum – Há quem diga que essa proposta vale para o Teatro Mágico, mas que não serve como fórmula. Essas mesmas pessoas dizem que o direito autoral é necessário e que não dá para se sustentar através de shows, por exemplo. Queria que você falasse um pouco disso.

Anitelli – Em relação ao direito autoral o que acontece é uma falta de informação dos músicos sobre o que de fato ele é. São milhares de músicos desinformados no país, que anseiam o estereótipo, que querem alcançar a fama. Quem ganha com direito autoral hoje em dia são as pessoas amarradas dentro desse modelo de negócio antigo, que visa à questão do jabá, da veiculação nas rádios, de compra de espaços nas TVs. Essas 100 músicas mais tocadas recebem recolhimentos, direito conexo etc. Nunca vi um fórum de debates, uma oficina para informar os músicos como é que se dá o recolhimento do direito autoral. Tirando gente como Zezé di Camargo, poucas pessoas se beneficiaram de direito autoral. O Teatro Mágico está há três anos fazendo certo sucesso de público e até hoje não tocamos nas rádios. Por quê? Porque não pagamos jabá. Fomos convidados a pagar, já passaram preços de jabá pra gente, mas isso é crime e a gente não paga. Rádios e TVs são concessões para trabalharem a comunicação para o público e, infelizmente, isso não acontece. Falta o músico entender que quem lucra com direito autoral são as editoras e as gravadoras.

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Independentemente de fórmulas, vivemos tempos de planejamento coletivo multipolarizado. Como será organizada esta rica festa da internet?

Texto extraído do Blog: João Villaverde